RELATO DE AVENTURA |
Tipo |
Pedalada louca no feriado |
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Onde |
São Paulo (SP) a São Vicente (SP) |
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Quando |
21 de Abril de 2006 |
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Quem foi |
Rex + Jamal + Nemo |
Relato by: Rex [ rex.biosfera@gmail.com ]
PEDALADA LOUCA ATÉ A PRIMEIRA CIDADE DO BRASIL!
A idéia desta aventura nasceu de uma brincadeira há algum tempo atrás, quando eu dividia um apê com o Jamal ali no bairro da Saúde. Ele sempre falava que a gente estava mais perto da praia por morar ali e eu dizia que ele tava louco e que a praia estava longe do mesmo jeito. Zueira vai zueira vem, um dia combinamos de descer pedalando até a praia como uma forma de desafio pra nós mesmos, já que ambos temos bicicleta mas nenhum dos dois é fera no pedal. Apenas gostamos da magrela e pedalamos por aí, eu de vez em quando e ele de vez em nunca, hehe. Ou seja, somos bikers café com leite...
Hoje a gente não mora mais na Saúde. Agora estou em Santo Amaro e ele foi pra Vinhedo (aliás vai se casar daqui dois meses, aheeeeee!!) mas conversando um dia desses decidimos cumprir nosso desafio e marcamos a data pra descer a Imigrantes. Sabíamos que nossa aventura seria diferente de bikers que pedalam grandes distâncias por não estarmos acostumados com isso da forma que seria. Convidamos o Edu e o Nemo pra descer conosco. O Edu seria o mais experiente da parada, e o Nemo está evoluindo agora... ficou até na dúvida se conseguiria completar o trajeto mas a gente botou fé no garoto e demos uma força e assim fizemos os preparativos. Revisão nas bikes, colocação de todos os acessórios definidos pelo Código de Trânsito Brasileiro, compra de mais alguns itens interessantes e o Jamal até comprou uma bike nova. Infelizmente o Edu teve um problema na bike dele e não deu certo de nos acompanhar, então fomos, eu, Nemo e Jamal.
Nossa base era minha casa e combinamos de nos encontrar as 11h da manhã. A idéia era almoçar no Itaim, depois passar no prédio em que eu morava antes pra rever nossas vizinhas e depois seguir viagem. Imaginávamos começar o pedal efetivamente por volta das 17h pois assim evitaríamos o sol forte e chegaríamos (sabe-se lá) a tempo de pegar uma pousada e dormir pra caramba! Acabamos nos atrasando um pouco com os preparativos finais e saímos de casa quase duas da tarde. Ainda tivemos que fazer uma parada estratégica no Carrefour e depois corremos atrás do nosso almoço. É um restaurante vegetariano muuuuitoooo bommm, se chama Cachoeira Tropical e por R$ 11,00 você come à vontade inclusive suco e sobremesa. Lá tive a felicidade de encontrar o Marquinhos, meu professor de recreação, junto com sua namorada, foi legal pois fazia algum tempo que não o via. Trocamos uma idéia e logo nos desejou uma boa pedalada! Almoçamos bem, tiramos a barriga da miséria (!!), descansamos um pouco e às 17h00 seguimos pra Saúde.
Como estávamos tentando “economizar” energia, fomos pedalando bem tranquilamente. Chegamos no prédio às 18h00. Encontramos nossas amiguinhas queridas, conversamos, zuamos, tiramos fotos... Foi bem legal rever a turminha! O que elas mais gostaram foi da buzina cor-de-rosa da bicicleta do Nemo heuheuheuheuhe. Zeramos o odômetro e finalmente começamos nossa viagem oficialmente por volta das 20h00.
Descemos a rua e paramos no posto pra calibrar os pneus. Devido ao maldito bico da câmara do pneu do Nemo gastamos quase uma hora ali. Depois de muito esforço, mãos sujas e um pneu estourado (do tipo que fez booom!) conseguimos resolver o problema e prosseguir. Pegamos a Abraão de Morais e logo estávamos na Imigrantes. Passamos pela placa que indica o início do trecho sob concessão da Ecovias (uhuuuu!) e continuamos pedalando. Paramos logo no primeiro posto por motivos intestinais, hehe. Problema resolvido, estávamos nos arrumando pra pegar a estrada novamente aí veio um tiozinho falar com a gente. Ele disse que pedalava há tempos atrás e tal, perguntou sobre a permissão de bikes na estrada, conversamos mais um pouco, nos despedimos e seguimos nosso caminho.
A propósito, sabendo que existia uma grande chance de sermos parados pela polícia rodoviária, tivemos a preocupação de estar bem informados sobre tudo que estivesse ao nosso alcance pra que nada estragasse os planos. Ligamos pra Ecovias e pra Polícia Rodoviária, lemos o Código de Trânsito Brasileiro várias vezes, pegamos alguns relatos de bikers que já fizeram esse caminho, etc. Então estávamos prontos pra discutir o assunto caso necessário, já que o código permite a circulação de bicicletas em alguns tipos de rodovias (inclusive a Imigrantes) desde que a bike esteja de acordo com o que o código solicita. O Jamal até brincou: a única coisa que pode complicar a gente é se tiverem colocado placa de proibição de bicicletas. Mas como ligamos pros órgãos responsáveis antes e a conclusão foi que não teria problema em descer, mas que apenas eles desaconselhavam este tipo de aventura devido à preocupação com a segurança dos ciclistas, estávamos confiantes em completar o percurso. Naquele momento inclusive já havíamos passado por várias viaturas da PRF e tudo corria bem.
Continuando com nossa incansável pedalada (Incansável?? Isso cansa um bocado, viu?), fomos avançando rumo ao destino previsto. Todos estávamos animados, conversando, rindo, zuando... ouuuheeee! O Jamal era o mais empolgado. A cada placa de quilometragem ele gritava e vibrava! E realmente era incrível! A gente estava fazendo uma coisa que durante um bom tempo ficou somente como uma idéia louca, e que de repente decidimos fazer e estávamos ali, fazendo, correndo, pedalando, fala sério...!
Era aproximadamente 22h15 quando chegamos no pedágio. Foi um dos momentos mais legais da aventura! Caracas já estávamos no pedágio! O Jamal gritou que nem um bezerro engasgado... todos vibramos! Paramos rapidamente pra registrar o momento e continuamos pedalando! Ao chegar no posto seguinte, ali onde tem o MC’Donalds, paramos novamente e fizemos um merecido lanche. Exatamente quando o relógio bateu 12 vezes estávamos saindo novamente pra encarar a estrada, afinal ainda tínhamos um longo caminho até São Vicente.
Um pouco antes de começar a descida mesmo pela serra, fomos parados no Posto Policial. Conversamos com o soldado e ele disse que não era permitido pedalar naquele trecho. Argumentamos e ele acabou deixando que continuássemos, mas advertiu falando que havia uma placa de Proibido Tráfego de Bicicletas logo a frente (uma informação nova pra gente) e que a viatura que estava mais adiante não deixaria que a gente seguisse viagem. Mesmo assim continuamos afinal estávamos ali pra isso. Seguir em frente até chegar ao destino. E não é que havia mesmo uma placa logo depois? Aí já ficamos preocupados, mas mesmo assim seguimos, até que uma outra viatura nos parou e disse que não poderíamos prosseguir de jeito nenhum pois é muito perigoso dentro dos túneis. Depois de muita conversa, argumentações e tentativas de alternativas para que completássemos nossa viagem, fomos orientados a seguir para um tal de posto Alfa 40 da Ecovias, há aproximadamente 8km dali, que talvez pudéssemos conseguir alguma forma de apoio pra descer a parte perigosa. Observando a orientação, pedalamos de volta alguns metros e seguimos pela interligação da Imigrantes até a Anchieta procurando o tal posto. Logo vimos placas indicando local para descanso de caminhoneiros, deduzimos que seria ali. Chegamos, vimos que era o local certo e conversamos com o pessoal da Ecovias que estava de plantão. Com tudo isso, já era bem mais de duas da madruga. Após uma super-mega chorada de nossa parte, surgiu nosso salvador: era o Donizete, um funcionário da Ecovias que iria descer mais tarde, mas que ouvindo nossa história resolveu colaborar e assim tornou possível a continuação da super aventura. Colocamos as bikes improvisadas no caminhão, já que ele é feito pra carregar carros, ou seja, a carroceria é apenas uma parte plana, mas o nosso mais novo amigo prendeu elas com umas faixas e lá fomos nós, agora pela Anchieta, de veículo motorizado. Logo após os túneis, descemos e retomamos nossa pedalada. Antes, claro, agradecemos bastante ao Donizete, né. Legal então, poderíamos prosseguir, se..... não fosse meu ciclocomputador que tivesse sumido! Pois é, procurei, olhei e nada. Como eu havia colocado ele no bolso quando chegamos no Alfa 40, achei que pudesse ter caído no caminhão, já que é bem fácil de cair qualquer coisa do bolso da bermuda que eu estava usando. Enquanto eu dava uma olhada por ali pra ter certeza que realmente não havia deixado cair por ali, Jamal ligou pro atendimento da Ecovias e relatou a situação. Passaram uma mensagem pelo rádio para o Donizete, ele procurou o tal treco e disse não ter achado. Aí eu já estava quase desistindo (e chorando por perder o aparelho recém adquirido) quando, em meio a um mato que quase cobria os pés, incrivelmente o Nemo achou (uuuuuuhuuuuu!!) o danado do ciclocomputador. Ânimos recarregados, seguimos madrugada dentro em direção à parte final da aventura, que por tudo isso, já era uma mais que incrível!!
Às 4h00 chegamos numa ponte bem iluminada, tipo ponte pênsil, registramos o momento novamente e continuamos pedalando. A essa altura o sono já batia forte, além do cansaço, dores nas costas e na bunda. Quando o relógio marcou 4h45 da manhã, chegamos na rodoviária de São Vicente. Finalmente a aventura estava completa, finalmente o desafio estava cumprido! Comemoramos com champagne, mulheres e coroa de louros (hahahaaa) não não é brincadeira, na verdade apenas gritamos e nos abraçamos! Paramos a medição dos dados pelo ciclocomputador, ah e claro, tiramos fotos pra registrar o final da aventura.
Fizemos nossas considerações e achamos melhor deixar a pousada pra lá, assim como aproveitar alguma coisa da praia. Com o objetivo atingido, tudo que queríamos naquele momento era voltar pra casa. E assim foi. Eu segui com o Nemo pra Sampa e o Jamal ficou lá pra descolar um bus pra Vinhedo. Não tivemos grande dificuldade pra subir com as bikes no ônibus (eu e Nemo) apenas trocamos uma idéia com o motorista e ele concordou. Geralmente eles pedem pra embalar as bikes e tal, mas ali ia ser complicado arranjar caixas ou sacos pra fazer isso. Já o nosso amigo Jamal teve um pouco mais de dificuldade com esse assunto. Ele teve que pegar dois ônibus por não ter linha direta pra cidade dele, e em um dos embarques o motorista solicitou até nota fiscal da bicicleta, olha só. Mas aí com um pouco de jeito ele também conseguiu chegar em casa finalmente. Chegamos todos pedalando, já que da rodoviária até a casa de cada um também o único jeito era continuar em cima da bike.
Essa com certeza foi uma das aventuras mais loucas que já fiz. O trajeto até que foi tranquilo, nem pedalamos muito, fizemos um ritmo beeem tranquilo e tal, mas pelo que significava pra cada um de nós, pela situação toda e pelas coisas que aconteceram, com certeza vai ser uma das histórias que vou ter o maior prazer em contar pro meu filho um dia...
Valeu Nemo, pela força, pela garra, pelas várias risadas, (por usar a buzina rosa haha) pela companhia, tks mano!. Valeu Jamal, pelas loucuras, pelas zueiras, (por usar a camiseta de anormal) pela força, por tudo meu camarada! E um grande abraço pro Edu, na próxima você não pode faltar, velhinho!
:: Dados da Aventura ::
Tempo Total: 9h15m
Tempo de Atividade (pedalando): 3h41m18s
Distância Percorrida: 59.51 km
Velocidade Média: 16,2 km/h
Velocidade Máxima: 42,5 km/h
Dados by Cateye Enduro 8
:: Agradecimentos ::
- À Deus por ter guardado nossas vidas a cada caminhão que passava ao nosso lado.
- Ao meu pai que aguentou uma zona de bikes na sala do apê durante uns dias;
- Ao camarada André (do projeto CicloBR) que mandou altas dicas pra gente;
- Ao pessoal da Tao do Pedal que também deu umas dicas legais sobre bike;
- À Helen que emprestou a câmera fotográfica e assim pudemos registrar tudo (tks baby!);
- E a todos os nossos amigos “normais” que acharam que a gente é tudo louco só por causa de uma aventurazinha, hehe!
:: Referências ::
Cachoeira Tropical
www.cachoeiratropical.com.br
O Tao do Pedal
www.otaodopedal.com.br
(11) 3079-7430
CicloBr
www.ciclobr.com.br
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